A terra do não-lugar

Acaba de sair no Brasil o livro "Terra do não-lugar", que junta 24 textos de perfomers e antropólogos, dentre os quais me encontro.



Segundo volume da Coleção Brasil Plural, este livro tem como ponto de partida o Encontro Internacional No Performance´s Land?, realizado em Portugal (Lisboa, 15-17 de abril de 2011). A terra do não-lugar explora os limites e fronteiras da performance. Simultaneamente intraduzível e intercomutável entre campos disciplinares, difusamente interterritorial e transdisciplinar, o conceito de performance se consubstancia hoje em um objeto reflexivo controverso, perenemente polêmico, e em um prolixo gerador de metáforas para a experiência humana. Esta coletânea de ensaios oferece algumas articulações entre o campo das ciências sociais e humanas, nomeadamente a Antropologia, e o campo dos estudos artísticos, em particular os chamados Performance Studies. Seu desafio maior é, talvez, o de reunir as contribuições teóricas de pesquisadores em cruzamento e interseção propositada com as contribuições dos performers. Com o leitor ficará a responsabilidade e, esperamos, o prazer de amplificar e articular esses cruzamentos.

Entrevista a Televisión de Galicia

ARTAUD IN COMPOSTELA

SYNOPSIS

A mysterious man runs through the streets of Santiago de Compostela, throwing out numerous garbage bags, while reflects on love in its purest and more perverse form. Following an experimental process of realization, the film was shot without a script and without default planes, relying on improvisation of the actors. The script and the text were defined in the edition.




Uma tarde com Fanni e Miklós



Esta simpática senhora comigo na foto é Fanni Gyarmati, viúva do lendário poeta Miklós Radnóti, uma das figuras mais emblemáticas da poesia em idioma húngaro. Com seus 101 anos de idade, Fanni (também conhecida como Fifi) viveu, desde a morte de seu marido, completamente reclusa, raramente recebendo visitas e não dando entrevistas, mesmo na cerimônia de seu centésimo aniversário. Ou seja, é quase impossível um encontro com ela e o meu só se realizou graças a uma amiga comum. Por isso, fiquei muito emocionado em ser recebido ontem por ela (alguns dias depois de coincidentemente visitar o túmulo do poeta no Fiumei úti Nemzeti Sírkert) em seu apartamento na Rua Pozsonyi, diante do Danúbio, e passar uma tarde agradável, conversando animadamente e conhecendo um pouco da vida desta figura que teve um papel tão importante na divulgação e perpetuação da obra de seu marido. Tendo conhecido Miklós ainda na adolescência, Fanni foi sua editora e companheira de trabalho, além de ter sido o tema de seus poemas de amor. Ainda hoje, quase 70 anos depois da morte dele, ela mantém intacto o espaço onde escrevia no mesmo apartamento em que viveram. 

Miklós faleceu em 1944, com 35 anos, executado durante uma marcha forçada de um campo de concentração na Hungria para outro na fronteira da Áustria. Segundo testemunhas, foi atacado a coronhadas por um guarda bêbado, irritado com sua insistência em escrever, para em seguida ser fuzilado em uma vala comum na fronteira do município de Abda. Seu corpo foi exumado dezoito meses depois, e dentro do bolso do seu casaco foi encontrada uma caderneta com seus últimos poemas. Fanni recebeu os manuscritos e finalmente os publicou em 1946, sob o título “Tajtékos ég”. Abaixo, deixo um desses poemas encontrados, em tradução de Nelson Ascher.


CÉU ESPUMANTE

No céu que espuma, a lua oscila.
Estar vivo me causa espécie.
A morte assídua espreita a Idade:
quem ela encontre, empalidece.

O ano grita e depois desmaia.
(Gritara olhando ao seu redor.)
Que outono ronda-me de novo?
Que inverno embotado de dor?

Sangrava o bosque; mesmo as horas
sangravam no vaivém dos dias.
Ventos riscavam, sobre a neve,
cifras enormes e sombrias.

Já vi de tudo; o ar me esmaga
com seu peso; um silêncio cresce
ruidoso, cálido e me abraça
como fez antes que eu nascesse.

Detenho-me junto de um tronco
que agita iroso as frondes plenas
e estende um galho. Há de esganar-me?
Não é fraqueza ou medo – apenas

cansaço. Calo. E o galho apalpa
os meus cabelos, mudo, aflito.
Cabe esquecer – mas não há nada
de que já tenha me esquecido.

Espuma afoga a lua; o miasma
estria os céus, verde e agressivo.
Sem pressa, enrolo com cuidado
o meu cigarro. Eu estou vivo.

4x JOIA

Quatro versões do poema JOIA.
Além do original em portugues, três versões traduzidas (inglês, espanol e holandês)
 




Matéria sobre "Artaud em Compostela" no programa ZigZag, da TVG

Pré-estreia de Artaud em Compostela na Galiza


Segundo trailer



Artaud em Compostela

Em primeira mão, o trailer/clipe do meu curta metragem, que estará pronto em breve.

Em breve


Landscape inside an outsider

O meu primeiro trabalho de 2013. Espero que desfrutem.

ESTÚPIDO



ESTÚPIDO | STUPIDE | STUPID

Video-acción realizada por Ana Gesto y Márcio-André para la convocatoria EXCHANGE, una propuesta de HATAJO y ARTóN basada en el intercambio de partituras de acción.


Relato em fotos: Poetry International Rotterdam

A 43ª edição do Festival Internacional de Poesia em Roterdã, na qual participei em Junho, foi um grande evento e, certamente, uma das experiências mais intensas da minha vida. A aventura de participar num festival dessa magnitude, por onde já passaram poetas como Octavio Paz, Pablo Neruda, João Cabral de Melo Neto, Joseph Brodsky, Seamus Heaney, Anne Carson e de poder estar ao lado de poetas da mais alta linhagem mundial, como Ron Silliman, Chus Pato, Tomaž Šalamun, K. Satchidanandan, K. Schippers, além de outros jovens poetas com destaque em seus países, é algo muito difícil de descrever. Seria necessário um livro para narrar toda a aventura que foram aqueles cinco dias de junho, com seus inúmeros encontros, leituras, entrevistas, festas e bebedeiras. Aconteceu tanta coisa em tão pouco tempo, que, basicamente, as fotos contam a história melhor do que eu seria capaz. Por isso, vai abaixo uma seleção do que consegui juntar pelas redes sociais.


O Rotterdam City Theatre, onde aconteceu o festival

O hall do teatro e seu telão de milhões de pixels

Casa sempre cheia

Bas Kwakman inicia o evento de abertura 

Variações de John Cage na abertura do festival


K. Schippers

Executando o poema Joia ao vivo

A australiana L.K. Holt

 
 Marc Kregting

Encerramento da noite de abertura

 O simpático K. Schippers falando a imprensa

Bas Kwakman na comitiva de imprensa 

Mesa redonda

Parece que até a atriz Meryl Streep apareceu por lá 

 Encontro pela manhã no hall do Hotel

O evento de abertura noticiado no Jornal De Volkeskrant.

 Foto coletiva na Flag Parede

 Solenidades e mais solenidades

 


Jan BaekeTomaž Šalamun e Ron Silliman


Jan e Mr. K. 


Com o poeta japonês Inuo Taguchi


A equipe do Poetry International trabalhando duro

Com Arie Pos em mesa sobre poesia e performance

Leitura no jardim

Fotos vergonhosas em tamanhos gigantescos

Os poetas estampados no telão

Preparativos para a performance


FLAG PARADE

Os poetas participantes do festival tiveram fragmentos de seus poemas impressos em bandeiras espalhadas pela cidade. Essas foram as fotos da cerimonia de inauguração da chamada Flag Parade.







Meu poema numa bandeira






ALGUNS GRANDE AMIGOS QUE FIZ NO FESTIVAL

 Com Umar Timol, Vahe Arsen, Chus Pato e Ron Silliman

 Com o camarada Jan Willem Van Hemert


 Bas e Lucy


 Com Chus Pato



Jan Lauwereyns e Lucy Holt

O árecirão Ricardo Silveira que foi lá comigo realizar seu documentário

Com Renato Miguel e Ricardo Silveira numa noite suja


Com Renato Miguel e Arie Pos

Com Bas Kvafman

Ulrike Draesner

Renato Miguel em frente a uma livraria coberta de cartazes do Festival

Com Lucy Holt

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